terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Wide Open

É, faz um longo tempo que não posto aqui. Aconteceram tantas coisas desde então; natal, ano-novo, meu aniversário, resoluções sérias de vida, família, perdas e ganhos; não sei nem por onde começar. Tenho coisas escritas, mas apenas salvas como rascunho, teria vergonha de publicá-las, de revelar personagens, pessoas e alguns sentimentos que descobri.

Salvo os rascunhos, porque acho válido ler, reler e procurar entender meus erros, meus acertos; me ajustar, ajustar às circunstâncias, ajustar meus "parafusos", ajustar meu coração com o que a vida me oferece no momento. Não é fácil, mas pelo menos tenho uma linha a seguir, um esboço e acho que até um plano.

São 1:15 da manhã, deveria estar na cama, estou com a maior gripe de todos os tempos, e uma baita ansiedade... cabeça a mil. Estou a espera dos meus pais que chegam essa semana. Quatro anos sem ver meu pai, dois sem ver minha mãe; me sinto um pouco solta no mundo e gosto disso, mas não gosto de me sentir sozinha, não mesmo. A solidão que me atrai, é aquela que eu escolho, que controlo. Um momento só meu, eu e meu carro, ou na minha casa, um final de semana que eu escolhi passar sozinha, mas não quero aquele que me sinto só e desemparada, onde não ouço minha mãe reclamando do meu pai, ou meus cachorros latindo...um amigo na porta buzinando pra eu sair rápido. Paro agora e percebo que esses são os sons que me acalmam, acho que são barulhos da vida, da minha vida. Estou tão próxima de ter isso tudo de volta, que a ansiedade me corroe.

Sairei de férias. Dez dias inteiros só para mim e minha família. Faremos coisas que nunca fizemos antes, vamos conhecer lugares que nunca estivemos, sensações novas, e isso é um presente pra mim, presente de aniversário - trinta e três anos completos e negados - acho que é a tal "síndrome de Peter Pan".

Deveria estar completa, me sentindo totalmente feliz, afinal, vou ver aqueles que amo, estarei em férias, também em reta final na conclusão dos meus objetivos aqui e logo estarei de volta a vida que tanto sinto falta. Mas não, não me sinto plena. Sinto falta de coisas que não posso mais ter , que não vejo solução, que não quero mais querer ter e muito menos sentir.

Me sinto fraca, uma adolescente idiota que não consegue controlar suas emoções, que não exerga um palmo diante do nariz e vive de ilusão. Não quero isso, nunca quis. Me decepciono, espero demais, acho que sou mais importante do que na verdade sou e assim caio, mas caio bonito. Tem dias que eu me levanto rápido, outros em que o tombo é um pouco maior, aí eu levo um pouquinho mais de tempo pra me levantar, mas sempre levanto. Saio mancando, mas falando para todos que está tudo bem, não gosto que vejam quando estou assim, de verdade.

Tenho tanto medo de parecer frustradam ou amargurada que nem toco no assunto com ninguém. Venho digerindo minhas frustrações sozinha, vibrado com minhas vitórias também no meu íntimo. Passei a ser superficial com os amigos, mas juro, é com boa intenção. É só um momento meu, demorando um pouquinho pra passar, mas que passará. Enquanto isso, venho aqui desabafar, aliviar a pressão e me explicar.

Me fechei, e não aprecio o que tenho sido. Não quero ser uma pessoa arredia, arisca. Quero voltar ao meu estágio de graça, aquele que encanta as pessoas ao meu redor, que transparece, que contagia. Eu era assim, e era na verdade, não apenas na aparência. Quero meus sentimentos equalizados com meus sorrisos, quero isso de dentro pra fora, quero meu eixo, meu equilíbrio. Não admito mais estar pela metade, não sei o por quê de tudo estar acontecendo dessa maneira, não sei se é a intensidade, o lugar, idade... não me importa mais a razão, só vou me preocupar com o resultado final, e esse eu já sei qual é.

Onde estão meus anos de experiência, minha maturidade e o calejar do tempo? Cadê os ensinamentos que a vida me deu? Por que sou tão coração assim, tão intensa e verdadeira com meus sentimentos? Seria mais fácil ser racional, calculista... uma engenheira. Mas não! Fui alimentada no amor, de poesia e sensibilidade... intensidade; e isso me faz viver coisas maravilhosas, me entregar, ter fortes emoções, valorizar pessoas, me entregar demais e sofrer bastante também. Mas posso dizer que vivo tudo em sua plenitude. Quando caio, dói, me arrebento toda, mas quando estou voando, ah, como é bom! Poder me entregar de braços abertos, sentir o vento no rosto, o frio na barriga e os sobressaltos da vida, sem nem mesmo me lembrar da última queda.

Viver, isso é viver!

Estou a espera dos meus "brand new year, brand new feelings and brand new things"

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