segunda-feira, 5 de abril de 2010

Impressões


 



 

"O importante não é aquilo que fazem de nós,


mas o que nós mesmos fazemos


do que os outros fizeram de nós."


(Jean Paul Sartre")

Um dia após o outro, essa é a máxima da vida e não podemos fugir disso, na verdade, nem escolha temos. Ontem foi bom, hoje nem tanto e amanhã será melhor, simples assim, sem mistérios, sem nada que possamos fazer. Nos basta viver e fazer o melhor que podemos em cada dia.

Somos curiosos, queremos respostas, porques e por ques, precisamos saber o final e arrumamos justificativas para nos conformar com os fatos e nos esperançar, porque sem esperanças, um homem não vive, apenas vaga por essa vida. Engraçado que precisamos de definições e nomenclaturas pra tudo, esse é o ser humano; necessitamos saber o que somos, classe social, se o affair já virou namoro, se a paixão virou amor… Percebeu? Parece que as nomenclaturas nos definem.

Daniela, 33 anos, solteira, administradora, estrangeira e blá blá blá. Não sei quanto a você, mas ser rotulada não me agrada, sendo que nem eu mesma sei o que sou na verdade. Sei o que está aparente, latente, e isso, mesmo pra quem me conhece muito, ainda não é o suficiente, porque estou em constante mutação. Hoje, me vejo de uma maneira que não via ontem, daqui um tempo, serei o que sou hoje com algumas doses a mais, e talvez o que pense hoje não faça nem mais sentido.

Escrever é uma forma de me entender e de me fazer entendida, quem conseguir ler as entrelinhas, conhece uma pessoa que as palavras não traduzem, por mais que eu tente, sempre falta ou sobra alguma coisa, mas esse é o segredo, porque quando sabemos tudo, já nao mais nos interessamos pelo assunto. Seria como ler um livro que você já sabe o final; ele não deixa de ser um ótimo livro, mas o interesse já não é mais o mesmo, tudo porque esperamos o grand finale, e se já o sabemos, porque querer saber os meios, se o fim justifica os meios? Então passamos para um novo livro, e eu não quero ser apenas um livro em sua estante.

Sou isso, nada mais que emoções, razões, impulso… não tenho meio termo, sou extremista; desculpe, mas eu sou. Se eu digo, eu faço; se eu não quero, não tem ninguém que me faça querer; e se me decido, não volto atrás. Portanto, não há necessidade de ficar me explicando, me justificando, porque se estou aqui é porque quero, e exijo ser acreditada.

Não entro em relacionamentos para perder, nem construo amizades por conveniência; os que me cercam podem ter a certeza que são amados e são indispensáveis em minha vida. Sou leal a estes e acima de tudo, sou leal a mim. Isso é um princípio moral pra mim, e até hoje, nunca fui contra os meus princípios. Já perdi coisas importantes por causa deles, mas deito e durmo com a certeza de que o que eu sou e o que eu acredito, continuam intactos.

Você pode me chamar de radical, burra, idealista… e daí? Não ligo, são apenas rótulos, e isso pouco me importa… até lata de tomates no mercado tem rótulo, e não importa o que diga a etiqueta pelo lado de fora, porque dentro sempre serão tomates enlatados.

Não queira me decifrar sem se aproximar, a distância pode ser segura, mas não te faz enxergar os detalhes, e de longe a visão é turva.

Você não precisa acreditar em mim, só não duvide de mim.

by Dany


 

"Se me esqueceres, só uma coisa,

esquece-me bem devagarinho."

(Mario Quintana)

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